Teresa Machado
Relatório Reflexivo

O presente relatório visa manifestar uma reflexão referente à Oficina de Formação, com a duração de 25 horas presenciais e 25 não presenciais, dinamizada pela Doutora Luísa Orvalho que, a meu ver, constituiu um caminho de desenvolvimento pessoal e organizacional, nas várias dimensões da escola, assente nos princípios da diversidade de representação, conceções, práticas pedagógicas e avaliativas na aplicação da Estrutura Modular nos cursos profissionais, designadamente nas rotinas quotidianas da Escola Profissional de Braga.
Os objetivos da Oficina, desenharam-se, claramente, na conceção de um plano de melhoria e inovação e educacional gradual, identificando problemas prioritários na prática, na procura de uma escola em melhoria contínua que promova o sucesso dos alunos. Por conseguinte, o plano de melhoria para a EPB e o e-referencial de informação sobre um modelo educativo, formativo e curricular dos cursos profissionais, surgiu, no percurso da formação, como um modelo inovador nas exigências de ensinar, fazer aprender e avaliar nos cursos profissionais, em que um dos desafios consistiu na transfiguração da cultura de trabalho individualista para trabalho colaborativo em rede, dando protagonismo às equipas pedagógica, que levantam pontes entre a teoria e prática, numa metodologia da investigação – de – ação- reflexão, nas palavras de formadora Doutora Luísa Orvalho.
A metodologia da oficina de formação assumiu um papel importante na dinâmica das equipas pedagógicas, pois tendo o conhecimento prévio dos conteúdos, objetivos, estratégias e produto final de cada sessão de trabalho, gradualmente evoluía o sentimento de cooperação.
O tema que coube à equipa de trabalho que moderei foi, realmente, inquietante e trabalhoso: “Como passar da avaliação dos conteúdos por testes para a avaliação das competências/resultados das aprendizagens no Ensino Profissional: avaliação formativa mais autêntica e participativa”? O e-portefólio como instrumento de ensino, aprendizagem e avaliação de competências”.
Ao longo das sessões de formação, os trabalhos e as reflexões foram sustentadas pela leitura de obras ALVES, JM e ORVALHO. (2008); ARMONSTRONG, T( 2008) CADERNOS DESAFIOS ( WWW.FEP.PORTO.UCP.PT/ SAME); ORVALHO, L.,e ALONSO L.( 2011 ORVALHO,L. e ALVES, J.M.( 2016) entre outros sites e vídeos.
Sinto particular empatia educativa por Benjamim Zander (2001), quando aborda a possibilidades para transformar a escola em práticas inovadoras, cria um paradigma de desenvolvimento pessoal e profissional residente na metáfora “arte da possibilidade: criando novas possibilidades para transformar a sua vida”. Também o paradigma da escola do século XXI encontra riqueza metafórica numa espécie de orquestra em que cada um tem papel diferente, pelo esforço colaborativo numa missão comum de transformar a diversidade na harmonia coesa.
Lemos, atentamente, “Petite Poucette “de Michel Serres, cuja alcunha imagética para a geração mais jovem adolescente “ As Polegarzinhas” nos leva a refletir acerca das competências a serem trabalhadas para viver no século XXI e trabalhar na 4.ª revolução ( indústria 4.0), “lugar invisível”, em que se exige, enormemente, a resolução de problemas complexos, o pensamento crítico, a criatividade , gestão de pessoas, a inteligência emocional, tomada de decisões, negociação e flexibilidade cognitiva.
E nós, profissionais da educação como devemos planear e determinar e ensinar os nossos alunos na era digital? Como marcar a presença das tecnologias na sala de aula? De que forma poderemos “envolver toda a comunidade na educação e formação dos alunos, através de organizadores de oportunidade de ensino? “(Tomlinson,2008).
Certo é que teremos de evocar, forçosamente, as competências de professor do futuro – científicas e técnicas, pedagógicas, experienciais e pessoais. Associado e este princípio não descoremos que lavramos o processo de ensino e aprendizagem na estrutura modular que favorece a flexibilidade e permite dar ênfase às progressões graduais (o que nem sempre acontece, por inoperância do professor e / ou desconexão cognitiva do aluno), sequencialidade, feedback de motivação intrínseca e extrínseca. Volvidos 27 anos de docência na disciplina de Português na Escola Profissional de Braga apercebi-me, de modo mais assertivo, que a modularização de um currículo implica a conceção diferenciada, implementação das estratégias de ensino – aprendizagem, avaliação do processo dos produtos, como um alerta para modificar a escola, definindo competências e aptidões, os valores e a atitudes, a ter por inspiração o Perfil do Aluno para o séc. XXI. Embora saibamos que princípios psicoeducativos cognitivos/construtivista/humanista favorecem a qualidade educativa da formação urge repensar sobe novas formas e instrumentos de avaliação, dando tónica dominante à diferenciação pedagógica que, segundo investigadores e a minha modesta experiência, dita que as práticas de diferenciação não são ainda as desejáveis. Notemos o que dizem os teóricos Roldão (2003), Perrenoud (2005) e Tomlinson ( 2008), se bem que não haja uma definição sobre a terminologia “ pedagogia diferenciada” persistem , a meu entender, duas linhas fundamentais: atender à diversidade dos alunos e melhorar a qualidade de ensino. Assim, nesta linha de pensamento a avaliação formativa deve estar presente em todo o percurso modular, revestindo-a de importância da proatividade da aprendizagem por parte do aluno, tornando claro objetivo o desenvolvimento das capacidades intelectuais de resolução de problemas, dando ao aluno a possibilidade de uma autoaprendizagem por experimentação.
Durante o meu percurso de quase três décadas na EPB, procurei fomentar, através das atividades consignadas no Plano Anual de Atividades, projetos que envolvessem ativamente os alunos de diferentes cursos e disciplinas. A título de exemplo, cito o projeto “A EPB pelos direitos humanos” ou “Sarau Cultural” e, qualquer que fosse o projeto articulado, o grau de satisfação para professores e alunos foi sempre muito satisfatório. Na realidade, num tempo mais remoto, não nos apercebemos do verdadeiro potencial dos projetos integrados como oportunidades de aprendizagem para todos: Aprender por projetos orientados para a resolução de problemas, em que aluno poderá alcançar o máximo do seu potencial. “Ninguém aprende se a emoção não fizer parte do processo de aprendizagem, porque as emoções são parte da consciência da realidade (Nóvoa,2012). Naturalmente que é preciso que o aluno se sinta “seduzido” para a construção do percurso formativo, de forma a integrar em pleno no currículo e na avaliação.
Deste modo, teremos de nos centrar na pedagogia de projeto flexível do currículo a sua realização base, globalizante e exigente em trabalho colaborativo entre todos professores, e demais atores intervenientes na educação/formação, terá de resultar, sempre, num “produto final” socializável ilustrador a nível de conhecimento e compreensão de soluções dos problemas colocados. Requer uma organização complexa de trabalho em equipa, deixando para trás rotinas tradicionais, no sentido de entender a sala de aula como um coletivo. Durante a oficina de formação, a Doutora Luísa criou foco no levantamento dos interesses dos alunos (temas, problema, questões), persistindo na ideia de um planeamento criterioso que comprometa todos. A eficácia do seu desenvolvimento e execução, por conseguinte teremos “em mira” os resultados esperados, os recursos a utilizar e, fundamentalmente, as estratégias de atuação, bem como a monitorização e a avaliação das mesmas, para que daí resulte um plano de melhoria sobre as aprendizagens dos alunos. Determinante para assegurar o sucesso do projeto é a sua apresentação, divulgação e envolvimento dos agentes educativos no processo, afinal representados pela expressão do subtítulo da oficina “… o saber em ação”.
Os novos caminhos que desbravei encontraram sentido nos novos instrumento para a avaliação de competências: e-portefólio reflexivo de resultados de aprendizagem, tido como instrumento avaliativo adaptado a contexto online, porque se avança para mudança de paradigma educacional em direção a modelos construtivistas ( Harasim, 200; Garrison, 2000; Holberg, 2001, Mason, 2003)práticas avaliativas inscritas na designada 4ª geração de avaliação permite encará-la numa perspetiva holística , como um processo de comunicação interpessoal, no entanto o protagonista é o próprio aluno. Um e-portfolio de evidências de aprendizagens é uma coleção organizada devidamente planeada de trabalhos produzidos por um aluno, ao longo de um dado período de tempo, assim converte-se num espaço dinâmico onde confluem os processos instrucionais, avaliativos e, acima de tudo, espelha o desenvolvimento do aluno. Beneficia, ainda a identificação dos progressos experimentados e das dificuldades mais características dos alunos, facilita o processo de tomada de decisão pelos professores, pois conhecem bem melhor a forma como o currículo é desenvolvido e as principais características dos alunos, sem que se marginalize o carácter positivo da avaliação, uma vez que os alunos têm mais possibilidades de mostrar o que sabem e são capazes de fazer, contribuindo para melhorar a sua autoestima.
Em suma, numa atitude reflexiva, aprendi a urgência as mudanças no modo como se ensina e como se aprende a partir de óticas construtivistas da aprendizagem às quais se juntam a simples complexidade da cibercultura.
No final do Oficina de Formação, posso considerar que esta reflexão assume um valor acrescentado de melhoria às minhas práticas pedagógicas que visam a formação do homem e da mulher do futuro nos patamares da tecnologia, energia e saúde.
Uma reflexão leva-nos, muitas vezes, a fazer um balanço pretérito, no entanto julgo que funcionou mais como um wake up call para as competências que permitam viver e trabalhar na 4.º Revolução Industrial, traduzidas numa uma primeira fase, na análise SWOT, posteriormente num novo modelo planificação de aula, grelhas de avaliação e auto e heteroavaliação, desenho dos critérios específicos, projeto integrado, assentes nas leituras de investigação da literatura recomendada pela Doutora Luísa.
O que aprendi? Entender as mãos aos alunos, sorrir às dificuldades, leva-los à felicidade através da realização e construção dos seus próprios conhecimentos, aptidões, atitudes e valores.